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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pernalonga: o astro da animação



Pernalonga é considerado o mais famoso personagem de animação do mundo. Também, pudera! Fruto do que pode ser considerado uma das fases mais criativas da indústria da animação, num momento em que ela não produzia pensando apenas em crianças, o coelho encanta a todas as idades com suas artimanhas. Pernalonga é o líder de personagens animados que começaram a surgir em curtas feitos para o cinema, nas séries intituladas "Merry Melodies" (1931-1969) e "Looney Tunes" (1930-1969), sendo que esse último é o título utilizado até hoje. Mas, no Brasil acabamos condicionados a chamá-los de, simplesmente, "Pernalonga" ou "Pernalonga e seus Amigos".

O coelho maluco é uma criação de Tex Avery, Virgil Ross e Robert McKimson, cada um responsável por uma das fases do personagem. Ele nasceu à imagem e semelhança do coelho Max Hare, personagem do curta "O Coelho e a Tartaruga", da Disney, criado para a série "Silly Synphonies". Apesar de haver dúvida quanto a essa inspiração, os primeiros traços de Pernalonga são, realmente, muito parecidos com o de Max Hare. E até mesmo o nome "Looney Tunes" (que pode ser traduzido como "Canções Lunáticas", ou até "Desenhos Loucos") foi "livremente inspirado" em "Silly Synphonies", série de desenhos musicais da Disney (chamado em português de "Sinfonias Tolas").

Quando apareceu pela primeira vez, Pernalonga não era Pernalonga. Ele era o Happy Rabbit, lançado no curta "Porky's Hare Hunt", de 1938. Não era muito parecido com o Pernalonga: era branco, tinha um sotaque caipira e uma risada maluca a la Pica-Pau. O Happy Rabbit chegou a aparecer em outros curtas, inclusive em "Elmer's Candid Camera", onde contracenou pela primeira vez com Hortelino Troca-Letras. Happy Rabbit é considerado o "protótipo" do Pernalonga.

Oficialmente, Pernalonga surgiu em 1940, no curta "A Wild Hare". Aqui, já se chamava Pernalonga (ou melhor, Bugs Bunny, seu nome original) e abandonou a risada maluca (a tal risada foi criada por Mel Blanc, dublador do Pernalonga e também do Pica-Pau; ele foi considerado um dos maiores dubladores de todos os tempos, visto sua grande versatilidade em mudar de voz e dar personalidade a ela). Foi aqui também que disse seu mais famoso bordão "what's up, Doc?" ("o que é que há, velhinho?", em português).

A partir daí, Pernalonga protagonizou diversos filmetes, com seu sarcasmo inconfundível. Sempre com cara de malandrão, o personagem adorava infernizar a vida do caçador Hortelino e do pistoleiro Eufrazino Puxa-Briga. Para se livrar das encrencas, apelava para números musicais e os mais loucos disfarces, inclusive tipos femininos. Demonstrava sua tranquilidade diante dos perigos sacando sua indefectível cenoura do bolso e roendo-a calmamente. E não podemos esquecer da incrível dupla que Pernalonga formou com Patolino, o pato mais mal humorado da animação. Patolino, sabe-se, tem o ego enorme e não se conforma em perder disputas de popularidade para o coelhão.

No Brasil, Pernalonga foi, durante anos, um dos principais astros da programação infantil do SBT, ao lado de "Pica-Pau" e "Tom e Jerry". Porém, os episódios mostrados pelo SBT (que são reprisados até hoje) eram os produzidos nas décadas de 1950 e 1960, quando o personagem já tinha os traços e personalidade mais definidos e era mais caracterizado pelo sarcasmo que pela histeria. Já os episódios dos anos 1940, que mostravam o coelho com o rosto mais fino e mais amalucado, foram exibidos na programação infantil da Globo, entre as décadas de 1990 e 2000. Todos esses episódios podiam ser vistos também na TV paga, no Cartoon.

Além dos desenhos clássicos, os personagens de "Looney Tunes" puderam ser vistos em outros momentos, como as participações especiais de todos eles em "Tiny Toon", onde eram os professores da Luniversidade Acme. Voltaram ao cinema nos longas "Space Jam - O Jogo do Século", de 1996, e "Looney Tunes - De Volta à Ação", de 2003. Não sem antes fazerem uma ponta em "Uma Cilada Para Roger Rabbit", de 1988. Aparecem também em especiais de TV e numa série de produtos licenciados, além da série "Baby Looney Tunes", de 2002, que mostrava a versão bebê de Pernalonga e cia, que eram cuidados pela Vovó.

"That's All, Folks!"... ou "Isso é tudo, pessoal!".


Animação em Série: Publicada toda quinta-feira.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Animação, entre em ação!


"Inspetor Bugiganga" foi uma marcante série de animação que fez parte da "fase de ouro" da programação infantil do SBT. Trazia como protagonista um inspetor de polícia completamente maluco, ingênuo e distraído, que se safava dos perigos graças às suas engenhocas e à esperteza da sobrinha Penny.

John Brown era um guarda de segurança que sonhava em ser o maior policial do mundo. Depois de um acidente, Brown se torna cobaia de uma experiência da dra. Brenda Bradford, que implanta no corpo de John 14000 apetrechos diferenciados. Assim ele se torna o Inspetor Bugiganga, um policial equipado com o que há de mais moderno na tecnologia robótica para combater o crime. No entanto, no mesmo acidente envolvendo John Brown, um terrível vilão acaba perdendo a mão, tendo que substituí-la por uma garra. Nasce o Garra, o pior dos criminosos.

O Inspetor Bugiganga, agora, está sempre envolvido em missões que visam desmantelar os planos diabólicos do Garra e sua gangue. O vilão, além de querer se vingar de Bugiganga, quer também instalar o crime em Metro City. A cada novo passo do Garra, Bugiganga recebia a convocação de seu chefe através de seu telefone, instalado em sua própria mão, cuja antena saía de seu dedo (celular pra que?). O chefe estava sempre escondido nos lugares mais inusitados, e entregava a Bugiganga sua missão numa mensagem auto-destrutiva. E o ciborgue sempre devolvia a mensagem ao chefe, que acabava levando uma bela explosão na cara.

Para combater o crime, Bugiganga fazia uso de suas engenhocas implantadas no corpo. Ele tinha uma hélice de helicópeto que saía de seu chapéu; pernas, braços e pescoço retráteis; armas diversas escondidas em várias partes do traje; um sobretudo inflável; além de veículos especiais, como o Bugiganga Móvel. No entanto, o inspetor não deixou a ingenuidade de lado e, quase sempre, era enganado pela gangue do Garra. Aí, entrava em cena a pequena Penny. A menina, que carregava um livro-computador de onde tirava uma série de informações sigilosas, seguia o tio com a ajuda de seu cachorro, o Cérebro, com o qual se comunicava através da coleira. Cérebro, que era um "rei dos disfarces", era confundido com um dos vilões pelo Inspetor Bugiganga. Assim, ele tinha não só que investigar os crimes, como também se livrar de Bugiganga, que estava sempre a persegui-lo.

Eram clássicos os bordões do Inspetor Bugiganga, criados pela dublagem brasileira. Quando precisava de um de seus apetrechos, Bugiganga gritava o nome do tal utensílio seguido de um "entre em ação". Por exemplo, se queria usar seu helicóptero, dizia: "helicóptero, entre em ação!" e pimba! Lá ia ele voando. Porém, nem sempre suas armas funcionavam como previsto, e o inspetor se via em maus lençóis. Outro bordão característico do herói era seu "caramba!", disparado toda vez que algo fora do comum acontecia (ou seja, toda hora!).

Mas a dublagem do desenho acabou também provocando confusão. A primeira temporada de "Inspetor Bugiganga" foi exibida pela Record e dublada no Rio de Janeiro, que traduziu o nome do protagonista para "Inspetor Gandaia". Um nome horroroso, usado, talvez, para manter a coerência com a letra "G", estampada em toda a quinquilharia pertencente ao inspetor. As temporadas seguintes, do SBT, foram dubladas em São Paulo e só aí ganharam o ótimo título "Inspetor Bugiganga".

"Inspetor Bugiganga" foi criado por Bruno Bianchi em 1983. Chegou ao Brasil entre o final dos anos 1980 e início dos anos 1990 e fez muito sucesso na programação infantil do SBT, onde foi exibido por anos em diferentes programas. A série animada ganhou ainda dois longas, um para o cinema e outro para a TV, produzidos pela Disney. O filme para cinema trouxe Mathew Broderick vivendo o personagem. É um filme divertido, mas funciona mais como uma paródia do personagem do que como uma adaptação fiel. E Penny e o cão não são tão importantes no filme como eram no desenho animado. Além disso, a série ganhou a versão "O Garoto Bugiganga", uma versão infantil do personagem, que foi exibido por aqui pela Globo.

Animação em Série: Publicada toda quinta-feira.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Aviso


Hoje, 15 de outubro de 2009, excepcionalmente Animação em Série não será publicada. A seção volta a ser publicada normalmente na próxima quinta-feira.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Os irmãos Warner (e a irmã Warner)!


Afinal, quem sãos os irmãos Warner que aparecem no nome de uma das maiores indústrias de entretenimento do mundo, a Warner Bros? Talvez querendo responder a essa pergunta de modo bem-humorado que surgiu a ideia de "Animaniacs", um dos mais aloprados e divertidos desenhos de todos os tempos.

"Animaniacs" era uma série animada, cujos episódios eram compostos por diferentes filmetes, cada um protagonizado por uma turma de personagens diferentes. A trama inicial era das estrelas da animação, os irmãos Warner. Eles são Yakko, Wakko e Dot, três personagens de desenho criado pelos estúdios da Warner há muuuuuitos anos atrás. Eles eram tão pirados que os produtores resolveram prendê-los dentro da caixa d'água que simboliza o complexo de estúdios da Warner. Os três transformaram a caixa d'água em casa e lá vivem a infernizar os artistas e diretores que circulam pelo local, entre eles Steven Spielberg.

Yakko é o mais velho e o mais responsável da turma. Quer dizer, "responsável" não é a palavra certa; é o menos irresponsável. Tem sempre boas tiradas. Wakko é o irmão do meio. É meio criança, meio adolescente e completamente maluco. É um molecão que está sempre aprontando e tem um apetite insaciável. Já Dot é a meiga irmã caçula. A única mulher da família, ela representa bem a classe, pois é segura de si, mas não perde a feminilidade e a graça. Se bem que ela, às vezes, gosta de usar de seu charme para conseguir o que quer. Quando os irmãos se apresentam como "os irmãos Warner", ela logo emenda "e a irmã Warner". Seu nome completo é Princessa Angelina Contessa Louisa Francesca Banana Fanna Bo Besca Terceira.

Entre as figuras que os Warner mais gostam de infernizar está o guarda dos estúdios Warner. Sempre que os irmãos malucos fogem da caixa d'água, Ralf faz de tudo para tentar capturá-los, mas sempre acaba se dando mal. Quem também perde a paciência com eles é o Dr. Otto Scratchansniff, um médico que tenta a todo custo controlar a maluquice dos Warner. Ele conta com a ajuda da bela Enfermeira que, além de bonita, é extremamente inteligente. Yakko e Wakko são apaixonados por ela, repetindo toda vez que a encontra o bordão "olááááááá, enfermeira!". O bordão, aliás, serve para qualquer mulher bonita que eles encontram, mesmo que não sejam enfermeiras.

Como já foi dito, "Animaniacs" apresentava pequenos filmetes em cada episódio. As tramas seguintes à dos irmãos Warner eram ocupadas por outros personagens em esquema de revezamento. A subtrama mais famosa de "Animaniacs" é, sem dúvidas, "Pink e Cérebro". A história de dois ratinhos de laboratório que querem dominar o mundo deu tão certo que acabou se tornando uma série independente.

Também são lembrados "Slappy e Skippy", onde uma simpática senhora esquilo dava lições de vida a seu sobrinho curioso; "Bobby, Squit e Pesto", três pombos que se adoravam, mas brigavam por qualquer bobagem; "Botões e Mindy", em que um cão passava apuros para salvar um bebê "mala" de muitas enrascadas; "Minerva", uma vison fêmea que fazia sucesso entre os machos; "Rita e Runt", que mostrava a amizade entre uma gata cantora e um cachorro abilolado; "Flavio e Marita", dois hipopótamos completamente apaixonados um pelo outro; "Galo Bu" ou "Cocoricó", um galo sinistro que se disfarçava de gente; e "Chalton Chipmunk", um esquilo diretor de cinema estressado. Vale lembrar que os irmãos Warner sempre apareciam nas tramas desses outros personagens. Normalmente passavam correndo fugindo do guarda Ralf, e suas aparições não tinham qualquer relação com a história.

Assim, "Animaniacs" fazia humor non sense enquanto parodiava a própria indústria do entretenimento. Assim como "Tiny Toons", a série usava e abusava da metalinguagem e era cheio de referências ao universo pop estadunidense e contava com várias participações especiais.

"Animaniacs" (cujo nome completo era "Steven Spielberg Presents Animaniacs") era uma produção da Amblin Entertainment (de... Steven Spielberg!) criada por Tom Ruegger. Foi produzida entre 1993 e 1998, somando 99 episódios divididos em cinco temporadas. No Brasil, fes sucesso na Globo, quando era exibido pela "TV Colosso". Passou também pelo "Xuxa Park" e "Angel Mix". Depois foi para o SBT, onde virou atração do "Bom Dia e Cia", "Sábado Animado" e "Festolândia". Também foi exibido pela Warner Channel. Uma das mais divertidas séries de animação de todos os tempos!


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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Um novo herói


"Batman: A Série Animada" ("Batman: The Animated Serie") pode ser considerada um divisor de águas, tanto na trajetória do personagem quanto na maneira de se fazer séries de animação, ou ainda na nova possibilidade aberta para heróis da DC na televisão. Produzida entre 1992 e 1995, ela simplesmente imprimiu um estilo que continuou a ser usado em outras séries, além de manter o tom sombrio e adulto dado a Batman nos longas de Tim Burton e na famosa HQ "O Cavaleiro das Trevas", de Frank Miller.

Assim, esta série do Batman atraiu muitos fãs graças a seu tom sombrio, atmosfera noir e temas mais adultos. Trazia um Bruce Wayne menos playboy e mais compenetrado nos negócios e na vida dupla. Batman era visto como um herói arredio, implacável e, sobretudo, humano. Seus inimigos apareciam em peso, numa sempre constante ameaça a Gotham City. Coringa, Espantalho, Hera Venenosa e Mulher-Gato davam as caras na série. Foi a animação, aliás, que introduziu a vilã Arlequina, parceira de Coringa que, depois, passou a integrar as HQs e até foi a vilã da série "Birds of Prey".

O tom predominantemente sombrio e adulto era percebido através de roteiros bastante elaborados e cenas de violência, mostrando inclusive o uso de armas de fogo. A ideia era realmente reinventar o personagem na animação, deixando de lado o tom camp e non sense como visto na série clássica ou em animações como "Superamigos".

Inicialmente, Batman aparece sozinho, enquanto Robin faz participações esporádicas. A presença de Robin só se torna mais constante quando a série muda de nome para "The Adventures of Batman and Robin". Batgirl também dá as caras na série em vários episódios.

Aplaudida pelo público e pela crítica, "Batman: The Animated Series" rendeu ainda dois prêmios Emmy. Seu estilo visual, criado pelo produtor Bruce Timm, funcionou tão bem que passou a ser adotado na criação de outras séries de heróis da DC. Foi assim que surgiu outras boas séries animadas de heróis, como "The Superman Adventures" e "Liga da Justiça", reunindo Batman, Superman, Mulher Maravilha e cia. Sem se esquecer de "Batman do Futuro", que mostrava um Bruce Wayne já idoso como mentor do jovem Terry num futuro sombrio. Entre 1997 e 1999, surgiu ainda "The New Batman Adventures", uma espécie de continuação de "The Animated Series".

"Batman: The Animated Series" rendeu ainda vários e ótimos longas de animação, como "Batman: A Máscara do Fantasma" e "Batman & Mister Freeze: Abaixo de Zero".

No Brasil, a série fez bastante sucesso também. Estreou no SBT, com o título "O Novo Batman", que passou por vários programas infantis da emissora e também foi exibido como atração independente. A emissora reprisou a primeira temporada váááááárias vezes. A Record foi quem mostrou a temporada posterior, com o título "As Aventuras de Batman e Robin".


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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Mau feito o Pica-Pau


O Pica-Pau surgiu em 1940, criação de Walter Lantz. O bichinho deu o ar da graça num episódio de outra série animada de Lantz, o "Andy Panda". No episódio em questão, Pica-Pau tirava do sério o urso e seu pai, ao bicar constantemente o teto de madeira da casa deles. Fez tanto sucesso que ganhou uma série só para ele.

O pássaro é um dos personagens mais controversos da animação. Seu jeito politicamente incorreto é sua marca registrada. Para se dar bem, Pica-Pau mente, rouba gasolina, apronta e tira do sério personagens como Leôncio, Zeca Urubu, Meany Ranheta, Zé Jacaré, entre outros. Nos primeiros episódios, originais de Lantz, Pica-Pau abusava de sua esperteza e se dava bem sempre. Depois, com a necessidade de uma produção maior, Walter Lantz começou a deixar a criação nas mãos de diretores, como Alex Lovy e Shamus Culhame. Cada diretor dava sua visão do personagem, por isso o Pica-Pau variava cores, tamanhos e jeitos de ser.

Tanto que, nos últimos episódios da série clássica, produzidos em 1972, o pássaro tornou-se mais bobão, passível e carregador de lições de moral. Para tanto, ganhou a companhia de seus sobrinhos Knothead e Splinter (ou Toquinho e Lasquita), num jeito bem Disney de ser. A mudança também refletia um sinal dos tempos, em que a animação, antes um gênero cinematográfico como qualquer outro, passou a ser considerada coisa de criança.

Em meados dos anos 1990, a Universal decidiu ressuscitar o Pica-Pau numa nova série animada. Foi aí que o passarinho se descaracterizou de vez. Agora Pica-Pau tem residência fixa, é vizinho de Leôncio e Meany e vira e mexe se dá mal no fim do episódio (o horror, o horror!).

No Brasil, "Pica-Pau" foi, durante anos, a vedete da programação infantil do SBT, tendo passado por praticamente todos os infantis da emissora. Em 2003, a Globo conseguiu tirar "Pica-Pau" do SBT e o exibiu na "TV Globinho". Porém, a série mais recente continuou nos quadros do SBT e o personagem era visto nas duas emissoras. Em 2006, no entanto, a Record fez valer seu contrato de exclusividade aos produtos da distribuidora Universal e adquiriu as duas séries. O personagem fez tanto sucesso na emissora, que passou a entrar nos mais diferentes horários. É "Pica-Pau" de manhã, de tarde e de noite. Tanta exposição, claro, cansou o bichinho, que viu seu espaço ser reduzido. Atualmente, "Pica-Pau" é exibido pela emissora em algumas praças. Na TV paga, a extinta Fox Kids exibia a série.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Ana Pimentinha": ela só faz o que quer!


"Ana Pimentinha" fez parte de uma nova geração de séries animadas Disney, onde também se pode incluir "Disney's Doug" e "Hora do Recreio". Aqui, é uma pré-adolescente engraçada e descolada a heroína de típicas aventuras no colégio.

Ana Pimentinha Person (Pepper Ann Person, no original) tem 12 anos e está na sétima série. A jovem, que anda e fala de maneira particular, começa a se despedir da infância e rumar à adolescência. Está sempre com seus dois melhores amigos: o desligado Milo, que usa sempre um gorro; e a certinha Nicky, uma espécie de "voz da consciência" de Pimmy, como às vezes Pimentinha é chamada pelos amigos. Pimentinha mora com a mãe, que é divorciada de um piloto da Força Aérea dos EUA, e a irmã Moose, que parece um menino. Há ainda o folgado gato Steve, o mascote da família Person. Pimentinha e seus amigos moram na cidade de Avelã.

Pimentinha é alegre e dinâmica, procurando sempre se manter alheia às vontades dos outros e seguir com suas próprias ideias. Porém, não é fácil: o terreno da sétima série exige uma certa posição na escola, e Pimentinha terá seus momentos de fraqueza. Ela está sempre tendo ideias malucas, e costuma colocar seus melhores amigos em altas roubadas. Mas cada queda é uma lição para ela, que consegue, no final, consertar as coisas. As dificuldades de crescer, que inclue senso de responsabilidade e necessidade de se lidar com assuntos do primeiro amor são temas abordados de modo leve e divertido em "Ana Pimentinha".

Assim, "Ana Pimentinha" acaba funcionando como uma espécie de versão feminina do "Disney's Doug", já que, assim como Pimentinha, Doug também está na sétima série e convive com os mesmos conflitos e situações de sua "colega". Não por acaso, as duas séries da Disney foram ao ar juntas no infantil "Disney Cruj", do SBT, além de terem sido cartaz, durante um bom tempo, do Disney Channel. "Ana Pimentinha" também foi exibida pelo "Disney Club" (versão diária do "Disney Cruj") e pelo "Bom Dia e Cia".

A abertura de "Ana Pimentinha" era muito divertida e sua música-tema é cantada até hoje pelos fãs. A letra lembrava que "Pimentinha é demais/Ela só faz o que quer/Só há uma Pimentinha em um milhão". Enquanto isso, víamos Pimentinha a bordo de seus patins, encontrando os amigos e jogando vídeo game, e só no final chegava (atrasada) à escola. Aí, o professor aparecia com sua ficha de suspensão, quando ela desmaiava na carteira e encontrava algo no chão. Pimentinha já encontrou de tudo naquele chão, desde cinco pratas até um anel de brilhantes. Outra passagem inusitada é que, durante a música-tema, podemos ouvir um diálogo inusitado: "Quem? Essa garota da aula de ginástica?"/"Não, sou eu!"/"Ah... quem é ela e por que tem uma música só dela?"/"Alguém pegou meu lanche!". Hilário!

Criada por Sue Rose, "Ana Pimentinha" foi produzida em 1997.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Bebês espertos


"Os Anjinhos" (ou "Rugrats", no original; ou ainda "Rugrats - Os Anjinhos", como passou a ser chamada no Brasil algum tempo depois) foi uma divertida série de animação original do canal Nickelodeon. Era centrada no cotidiano de um grupo de bebês, que vivia aventuras enquanto questionava os primeiros mistérios da vida.

Tommy Pickles, o protagonista, tem um ano. De fralda, camiseta e com poucos fios de cabelo na cabeça, ele passa boa parte do tempo num cercadinho ao lado de outros amigos bebês. Seu melhor amigo é Chuckie Finster que, aparentemente, é um pouco mais velho. De óculos e com uma vasta cabeleira vermelha, é inseguro e bastante medroso. Faz parte da turma do cercadinho o casal de gêmeos Phil e Lil Deville, que são muito companheiros e fazem tudo juntos. Os bebês são todos bem novinhos e não conseguem falar. Ou melhor, não conseguem falar a língua dos adultos mas, entre eles, conversam numa boa e se entendem bem, como numa espécie de "língua de bebês" que, para os adultos, correspondem à gemidos e ruídos sem sentido.

Os bebês possuem uma chave de fenda no cercado, que eles usam para abrir a porta e fugir para sua aventuras, desbravando o quintal ao lado do cão Spike, sempre com muita imaginação e curiosidade. Cada saída é uma descoberta de um mundo do qual eles ainda não entendem muito bem. Porém, ingênuos que são, sempre caem nas mentiras e armações de Angelica, a "vilazinha" da trama. Angelica é mais velha que os bebês e já sabe falar, conseguindo se comunicar tanto com eles quanto com os adultos. Quase sempre ela apronta para tentar se dar bem nos dois universos, mas se dá mal sempre que faz alguma coisa errada.

"Os Anjinhos" ficou bastante tempo no ar e seus personagens viraram febre e ícones de uma geração. A série estreou nos EUA em 1991 e ficou até 1994, mas retornou em 1996, aí partindo para sua carreira meteórica e emplacando novos episódios até 2004. Tamanho sucesso rendeu uma série de produtos licenciados, além de longas para o cinema ("Rugrats - O Filme", "Rugrats em Paris" e "Rugrats e Thornberrys Vão Aprontar", em que os personagens de "Anjinhos" se encontram com os personagens de "Thornberrys", outra série de animação da Nickelodeon bastante conhecida) e especiais de TV, como "Rugrats Crescidos", que acabou virando uma série também.

Criada por Arlene Klasky, Gabor Csupo e Paul Germain, "Os Anjinhos" teve 172 episódios. No Brasil, além da exibição da Nickelodeon, a série fez bastante sucesso inicialmente na TV Cultura. Depois, passou pela programação infantil do SBT e, mais tarde, chegou à Globo, quando teve o título original "Rugrats" acrescentado ao brasileiro, tornando-se "Rugrats - Os Anjinhos".

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Um lugar para imaginar


Um hábito muito comum na vida da criança é o famoso amigo imaginário. Provavelmente todo mundo já teve um quando pequeno. Mas você já parou para pensar onde vão parar esses seres quando a gente cresce? Pois Craig McCracken parou, pensou e criou "A Mansão Foster Para Amigos Imaginários" ("Foster's Home for Imaginary Friends"), uma engraçadíssima e inteligente série de animação original do Cartoon Network.

Na série, o jovem Mac é obrigado a se livrar de Bloo, seu amigo imaginário, por sua mãe, que o considera já velho para esse tipo de coisa. Mac descobre a Mansão Foster, lugar para onde vão os amigos imaginários abandonados, para que possam ser adotados por outras crianças. Ali, Mac deixa Bloo, com a decisão de visitá-lo todos os dias para que ele não precise ser adotado por ninguém. Assim, os episódios de "A Mansão Foster Para Amigos Imaginários" acontecem quando Mac se junta à Bloo e outros divertidos personagens nesse lugar inusitado.

Mac é todo certinho, enquanto Bloo, que parece um fantasma azul, é agitado e bagunceiro. Os dois se completam e se dão muito bem juntos. Nas suas brincadeiras, outros personagens estão sempre presentes, como o desengonçado Minguado, um monstrinho jogador de basquete que não tem um braço, muito gentil e que sempre pede desculpas por tudo. Minguado era o amigo imaginário de Michael Jordan. Já Eduardo tem aparência monstruosa, mas é muito medroso. Tem medo de moscas e fala com sotaque espanhol. E tem a Coco, uma mistura de coqueiro e galinha, e bota ovos de plástico coloridos com surpresa (!). Coco só sabe repetir o próprio nome mas, aparentemente, é a mais esperta da turma. Outros personagens são o senhor Coelho, responsável pela ordem da casa, sempre rigoroso; a madame Foster, criadora da Mansão (o senhor Coelho é o amigo imaginário criado por ela) e a jovem Frankie, sempre na organização do lugar.

"A Mansão Foster Para Amigos Imaginários" é daquelas séries que não se levam a sério. Recheada do mais puro humor non sense, é um ótimo programa tanto para adultos quanto para crianças. Além da ótima sacada de se imaginar para onde vão os amigos imaginários, a série se sustenta com argumentos divertidíssimos! Simplesmente viciante. Foi indicada nove vezes ao Creative Arts Emmy Awards, um dos mais importantes da TV norte-americana. Conquistou seis estatuetas, entre elas a de melhor direção de arte, melhor caracterização dos personagens e melhor storyboard.

Mas a diversão está acabando. O criador Craig McCracken (também criador de "As Meninas Superpoderosas") decidiu botar um ponto final em "Mansão Foster" enquanto a série ainda está no auge. O episódio final, "Adeus ao Bloo", será exibido no Cartoon brasileiro no dia 20 de setembro. No mesmo dia, das 10h às 22h, o canal exibirá uma maratona com episódios escolhidos pelo criador, incluindo o especial "Destino: Imaginação". O episódio final encerrará a maratona.

Criada em 2004, "A Mansão Foster Para Amigos Imaginários" teve 79 episódios divididos em seis temporadas. No Brasil, além do Cartoon, a série pôde ser vista na programação infantil do SBT.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Scooby-Doo, cadê você, meu filho?



"Scooby-Doo" é daquelas séries de animação que atravessam o tempo e chegam intactas aos dias de hoje, acumulando jovens e velhos fãs. Uma das mais longas séries de todos os tempos, "Scooby" estreou em 1969 e continua na ativa, seja em novas séries para a TV, longas de animação e longas live action. É a força da Máquina do Mistério!

Scooby-Doo é um cão dinamarquês que acompanha uma trupe de jovens que se dedicam a investigar mistérios. A cada lugar onde coisas misteriosas e aparentemente sobrenaturais aparecem, lá está Scooby e cia para averiguar os fatos. Mas ele é muito covarde! Seus prestimosos auxílios na apuração dos fatos acontecem, quase sempre, por puro acidente, já que o cão prefere mesmo uma mesa cheia de comida e biscoitos Scooby. Salsicha, seu companheiro, é tão covarde e esfomeado quanto ele. Os dois formam uma bela dupla. A trupe se completa com Fred, o galã e líder da equipe; Daphne, a bela, meiga e rica mocinha; e Velma, a garota inteligente e de raciocínio rápido e lógico.

A cada episódio, os amigos estão num lugar diferente e misterioso. Enfrentam monstros, fantasmas e outros tipos de seres sobrenaturais. Mas, na verdade, os monstros nunca são de verdade. Ao longo dos episódios, eles vão recolhendo pistas até descobrir toda a verdade dos fatos. No fim de cada episódio, um culpado aparece, tendo sua máscara arrancada, e Velma, Fred e Daphne sempre explicam os motivos de seus atos. Aí, o culpado vai para a cadeia, mas não sem antes soltar a frase clássica: "eu teria conseguido se não fossem esses moleques e esse cachorro burro!". A série acaba funcionando como uma sátira às histórias de terror, abusando do humor non sense e agrada, graças ao carisma dos personagens e das sacadas inteligentes do roteiro.

"Scooby Doo" é uma das maiores séries de animação da televisão mundial. É dividida em várias fases: a primeira, lançada em 1969, é "Scooby-Doo, Where are You?" ("Scooby-Doo, Onde Está Você?"), numa alusão a uma das frases preferidas de Salsicha (que, na dublagem brasileira, ganhou um charme a mais: "Scooby-Doo, cadê você, meu filho?"). Depois vieram "The New Scooby-Doo's Movies" (1972), "The Scooby-Doo Show" (1976), "Scooby´s All Star Laff-A-Lympics" (1977), "Scooby-Doo and Scrappy-Doo" (com Scooby Loo, o sobrinho "mala" de Scooby, 1979), "The All-New Scoby-Doo and Scrappy-Doo" (1983), " The 13 Ghosts of Scooby-Doo" (1985), " A Pup Named Scooby-Doo" ("O Pequeno Scooby Doo", 1988), "What's New Scooby-Doo" (2002) e "Shaggy & Scooby-Doo Get a Clue!" ("Salsicha e Scooby Atrás das Pistas", 2007).

"Scooby-Doo" ainda rendeu 13 longas animados, mais sete especiais e dois longas live action, "Scooby-Doo - The Movie" (2002) e "Scooby-Doo 2 - Monstros à Solta!" (2004), com Matthew Lillard (Salsicha), Freddie Prinze Jr. (Fred), Sarah Michelle Gellar (Daphne) e Linda Cardellini (Velma). Scooby é representado por uma animação computadorizada. Um terceiro longa live action está em produção, com um novo elenco.

No Brasil, a voz de Scooby-Doo ganhou o tom inconfundível de Orlando Drummond (o seu Peru da "Escolinha do Professor Raimundo"), um dos maiores dubladores do Brasil. O inconfundível sotaque cearense de Salsicha é trabalho do ator Mário Monjardim.

Criado por William Hanna, Joseph Barbera e Fred Silverman, a ideia inicial era chamar a série de "Who’s S-s-s-s-cared?" ("Quem está com m-m-m-medo?"), mas depois os criadores optaram por transformar o cachorro no protagonista e a série levou o seu nome. O nome de Scooby-Doo, aliás, é inspirado na canção "Strangers in the night", de Frank Sinatra ("dooby-dooby-doo…"). E o nome do cão acabou virando seu bordão mais famoso ("Scooby-Doo By Dooooo"), repetido a cada final de episódio.

"Scooby-Doo" já passou pela Globo, mas hoje é exibido no Brasil pelo Cartoon Network e pelo SBT.

Animação em Série: Publicada toda quinta-feira.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Aventura de RPG na telinha


"Caverna do Dragão" ("Dungeons & Dragons", no original) é uma das séries animadas de maior sucesso já exibidas no Brasil. Especialmente adorada por espectadores do "Xou da Xuxa", entre o o final dos anos 1980 e início dos anos 1990, a animação é baseada em um famoso jogo de RPG.

"Caverna do Dragão" começa mostrando um grupo de jovens numa montanha russa de um parque de diversões, chamado de Caverna do Dragão. Durante o passeio, um portal se abre e transporta o grupo para um lugar mágico chamado somente de O Reino. Com roupas estranhas, os jovens recebem armas mágicas do misterioso Mestre dos Magos, e, com elas, passarão a enfrentar todo o tipo de perigo na tentativa de voltar para casa. O grupo terá que enfrentar o terrível Vingador, um ser que pretende roubar seus artefatos mágicos para derrotar o Mestre dos Magos e o dragão Tiamat para tomar o Reino para si.

O grupo é formado por seis jovens. O líder é Hank, o ranger, o mais velho e responsável, que carrega um arco mágico capaz de atirar flechas energéticas. Eric, o cavaleiro, é o famoso personagem implicante. Sempre de mal humor, costuma contrariar o grupo e, quase sempre, se dá mal. Carrega um escudo mágico. Diana, a acrobata, é uma moça centrada e confiante. Sua arma é um bastão flexível que permite que ela realize saltos espetaculares. Sheila, a ladra, é a mais emotiva do grupo, já que tem que cuidar do irmão mais novo. Possui uma capa com capuz que lhe dá o poder de invisibilidade. Presto, o mago, é o estereótipo do nerd americano, já que se mostra inseguro e tímido. Possui um chapéu de feiticeiro que lhe confere diferentes tipos de magia, embora ele nem sempre saiba utilizá-lo da melhor maneira possível. E Bobby, o bárbaro, é o mais jovem do grupo. Irmão de Sheila, Bobby tem como arma um poderoso tacape, capaz de quebrar pedras e provocar terremotos. Ele é bastante afeiçoado a Uni, pequeno filhote de unicórnio "adotado" pelo grupo nO Reino.

"Caverna do Dragão" é uma série de animação cercada de boatos. Isso porque a série não tem um final conclusivo. Seu amigo disse que viu o final? Mentira. Esse episódio não existe! O que andaram dizendo a você nada mais é que um poderoso boato que alguns acabaram adotando como verdadeiro. Segundo esse boato, o final de "Caverna do Dragão" revelaria que os jovens morreram num acidente na montanha russa e estão no inferno! Ali, eles têm constantes encontros com o diabo, que se apresenta ora como Mestre dos Magos, ora como Vingador. Esse demônio pretende realizar um processo de agonia psicológica nos jovens, dando-lhes e tirando-lhes esperanças. Uni seria uma agente deste demônio (reparou que eles já perderam a chance de voltar para casa por causa dela?) e Tiamat seria um anjo enviado para contar a verdade aos protagonistas.

Que horror! Mas é tudo balela! Por conta de uma série de acontecimentos, como o fechamento da produtora D&D Corp, uma das responsáveis pelo desenho, "Caverna do Dragão" acabou cancelada sem a temporada que seria derradeira. Do final, ficou apenas o roteiro do episódio, chamado de Requiem. No episódio, os jovens são alertados pelo Vingador que poderão voltar para casa se conseguirem uma chave escondida e arremessá-la em um abismo. Quando Eric usa a chave em uma fechadura, o Vingador volta a sua forma original, um cavaleiro, e se revela filho do Mestre dos Magos. Assim, com o vilão libertado, o grupo tem a opção de voltar para casa. O episódio terminaria sem mostrar a resposta dos jovens, dando margem a uma possível nova temporada, mas encerrando a série de maneira digna, caso "Caverna do Dragão" não continuasse.

Assim, mesmo sem final, "Caverna do Dragão" fez sucesso em três temporadas, somando, ao todo, 27 episódios que, vira e mexe, são reprisados pela Globo. Bem que algum estúdio de animação poderia se interessar em continuar a série, não é mesmo? Nunca é tarde para dar um final à altura desta grande série de animação!

Animação em Série: Publicada toda quinta-feira.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

No mundo da imaginação



O Animação em Série desta semana relembra um desenho que, com certeza, marcou a infância da geração 1990. Um clássico da programação infantil do SBT, trata-se de "O Fantástico Mundo de Bobby" ("Bobby's World", no original).

Bobby Generic era um garotinho esperto e bastante curioso. Em busca dos "porquês" do mundo, característica de crianças em idade pré-escolar, Bobby era levado por sua fértil imaginação a mundos novos e emocionantes. Cada explicação ou "força de expressão" dita a ele logo se transformava numa situação mágica. Em bom português, Bobby "viajava na maionese"... e se alguém falasse isso a ele, provavelmente sua imaginação o levaria a uma viagem literal pela guloseima...

Bobby tinha uma família como qualquer outra. A mãe, Martha, extremamente amorosa e dedicada ao marido e aos filhos. Ela fica grávida durante a série, o que faz Bobby imaginar de onde vêm os bebês. Ah, e para Bobby, a mãe estava "graúda"! Ela tinha um bordão: pontuava suas frases com um simpático "sabia?". O pai, Howard, era trabalhador e paciente. A irmã mais velha era Kelly, adolescente gótica e cheia de complexos e, embora aparecesse sempre mal humorada, nutria um grande carinho pelo irmão caçula. Já o irmão do meio, Derek, estava na pré-adolescência e adorava pregar peças no irmãozinho. Os três irmãos viviam brigando, mas sempre se uniam quando a coisa ficava preta.

Bobby tinha um melhor amigo: o tio Teddy. Solteirão, bonachão e uma eterna criança, Teddy tratava Bobby de igual para igual e se divertiam muito juntos. É clássico o episódio em que os dois decidem acampar juntos no quintal de casa. Ele também era amigo da garotinha Jackie, que tinha uma impressionante visão madura do mundo e das pessoas. Jackie nutria uma singela paixão por Bobby e adorava distribuir beijos em suas bochechas. E, quando isso acontecia, ele logo fazia uma cara de nojo e soltava a expressão: "blergh!". Bobby ainda tinha um cachorro, Roger, que sempre o acompanhava.

Os episódios de "O Fantástico Mundo de Bobby" tinham um prólogo e um epílogo curiosos: Bobby aparecia conversando com o ator Howie Mendel, em carne e osso, sobre as expectativas quanto à aventura do dia. Eles conversavam como se fossem atores do programa e Howie sempre "virava" desenho durante a conversa. Era ele quem "interpretava" o pai do garoto. No final do episódio, Bobby e Howie comentavam sobre a lição aprendida no dia e se despediam da audiência.

Criado por Thimoty Williams, "O Fantástico Mundo de Bobby" estreou em 199o e teve 80 episódios divididos em sete temporadas. No Brasil, fez parte dos infantis de Mara Maravilha, Angélica, Eliana, Sérgio Mallandro e Jackeline Petkovic, além de ter sido exibido como atração independente dentro da grade do SBT. Ficou no ar, entre idas e vindas, até os anos 2000. Também era exibida pela Fox Kids.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Bizarrices na fazenda


"Coragem, o Cão Covarde" é uma série de animação original do Cartoon Network. Assim como outras produções do canal, a animação prima pelo humor non sense, de situações absurdas e referências pop. Por isso, por mais que as crianças possam assisti-la sem maiores problemas, "Coragem" acaba se tornando mais querida entre os adultos.

O protagonista é o cão que dá nome à série. Coragem é um cachorro que morre de medo de tudo e de todos, e que vive com seus donos, o casal de velhinhos Eustácio e Muril. Eustácio é a personificação do velho rabugento: trata todo mundo mal e nutre um ódio enorme pelo cachorrinho, a quem sempre chama de "cachorro idiota". Já Muriel é uma senhora terna e doce, que ama a todos e trata com carinho o pobre Coragem. Os três vivem numa fazenda isolada de tudo e de todos, localizada em Lugar Nenhum (ou Meio do Nada), em Kansas, nos EUA.

A fazenda onde vivem Coragem, Eustácio e Muriel é o cenário para diferentes acontecimentos bizarros. Tudo pode acontecer em Lugar Nenhum: ataques de monstros, de fantasmas, guerras nucleares, invasões alienígenas, experiências científicas mal sucedidas, enfim. Sempre que os três personagens estão de frente à TV levando suas pacatas vidas, algo muito estranho acontece e ameaça a tranquilidade local. Eustácio sempre se defende com sua marreta. Muriel, quase sempre, é capturada pela ameaça da vez. E é Coragem que tem que "engolir" o medo para salvar a dona e livrar a fazenda do perigo. Para isso, o cão até faz uso, constantemente, de pesquisas pela internet. Mas não é raro ele vencer os inimigos com uma boa dose de sorte. E, quando tudo termina bem, Coragem volta ao centro da sala da fazenda, onde Eustácio e Muriel assistem tranquilamente à TV, ou Muriel cozinha, sempre com muito boa vontade, seus pratos sempre com muito vinagre, ingrediente que Coragem odeia. E, quase sempre, o episódio é encerrado com Eustácio dizendo sua frase predileta: "cachorro idiota!".

As situações de perigo que ameaçam à fazenda são sempre absurdas, e é daí que vem a graça da série. Lugar Nenhum, provavelmente, fica justamente na famosa Área 51, local dos EUA onde, dizem, costumam acontecer experiências com extraterrestres. As aventuras de "Coragem, o Cão Covarde" tem como base esses fenômenos sobrenaturais, incluindo a presença de militares em alguns episódios, com missões ultrassecretas.

"Coragem, o Cão Covarde" ("Courage, the Cowardly Dog", no original), foi criado por John R. Dilworth, e estreou na TV americana em 1999. Possui, ao todo, 54 episódios divididos em quatro temporadas. No Brasil, é exibido pelo Cartoon Network e pelo SBT, dentro do infantil "Carrossel Animado" (seg a sex, 8h). Muito divertido!
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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Uma estranha família...


"Os Oblongs" tem uma importância especial na vida deste jornalista: ajudou a tornar 2005, que foi um ano pessoalmente extremamente difícil, mais feliz! Não só isso: pavimentou a felicidade que se seguiria entre os anos de 2006 a 2008, com certeza os anos em que mais cresci, tanto no pessoal quanto no profissional. Mas não falemos de mim: falemos desta divertida comédia de animação!

"Os Oblongs" contava a história de uma família bem diferente: todos tinham algum tipo de defeito físico e/ou psicológico. Não só a família Oblong, mas vários outros moradores de Hill Valley. O fato tinha razão de ser: Hill Valley ficava localizada perto de um pântano totalmente poluído pelos dejetos de uma fábrica que ficava no alto da colina. Assim, a série retratava as diferenças sociais, ressaltadas pela dicotomia entre os moradores de Hill Valley e os moradores do alto da colina. Todos os tipos de diferenças eram abordados: ricos e pobres, belos e feios, patrões e empregados, perfeitos e deformados etc. Deste modo, "Os Oblongs" fazia uma ácida e bem humorada crítica à sociedade atual.

A família Oblong era encabeçada, claro, pelos pais. Bob Oblong, o pai, é um incorrigível otimista. Mesmo sem os braços e as pernas e trabalhando embalando pesticidas com a boca, Bob é feliz e completamente apaixonado pela mulher, Pickles Oblong. A matriarca nasceu na colina, mas mudou-se para o vale para se casar. Depois disso, perdeu os cabelos e se tornou viciada em álcool e cigarro, ficando extremamente magra. Porém, nada disso a impede de ser uma boa mãe e esposa. A falta de cabelos foi resolvida com uma estranha peruca. Bob e Pickles tem quatro filhos: os mais velhos são os gêmeos siameses Chip e Biff Oblong, de 17 anos. Apesar de compartilharem o mesmo corpo, os dois são muito diferentes: Chip é descontraído; Biff é bitolado e apaixonado por esportes. Vivem brigando para decidir quem fica com a perna do meio (eles tem três pernas), mas, no geral, se entendem muito bem. Tanto que um deles sempre entra em coma voluntário quando o outro quer ter um momento de intimidade. A caçula é Beth Oblong, uma meiga garotinha que tem um tumor crescendo na cabeça.

Já Milo Francis Oblong é o filho "do meio". As tramas dos episódios de "Os Oblongs" giram em torno dele, que possui vários traumas mentais e sociais, além de ser hiperativo e ter uma cabeça imensa, um único fio de cabelo e um dos olhos semi fechados. As aventuras de Milo na escola, ou com os amigos estranhos, marcam os episódios. Seus amigos são: Peggy Weggy (possui um único seio e não tem a mandíbula, o que a faz ter problemas de dicção); Helga Phugly (sofre de obesidade mórbida, possui o corpo parecido com o de um sapo, mas se engana fantasiando ser bonita e popular); Creepy Susie (a gótica da turma e com tendências suicidas); e Mikey Butts (suas nádegas são caídas, de modo que ele tem que usar um sutiã para segurá-las).

Já os habitantes da colina são retratados pela família Klimer, os donos da fábrica que polui Hill Valley. São ricos, esnobes e tratam com desdém o povo do vale. São dali também as Debbies, um grupo de garotas que são exatamente iguais umas as outras, mesmo não sendo parentes, que estão sempre juntas. As Debbies são uma crítica à adolescência alienada, como a obsessão em ser sempre igual à alguém. Helga costuma dizer que é amiga das Debbies, mas elas a tratam com total indiferença. O prefeito de Hill Valley é Johnny Bledsoe, adepto da luta livre e que aparece sempre de máscara. E ainda há vários outros personagens coadjuvantes divertidíssimos, fazendo de "Os Oblongs" uma das séries de animação para adultos única.

"Os Oblongs" foi criado por Angus Oblong, autor do livro "Creepy Susie and 13 Other Tragic Tales for Troubled Children", que é a origem dos personagens da série. Foi lançada pela Warner Brothers em 2001 e teve somente uma única temporada, composta por 13 episódios.

No Brasil, "Os Oblongs" estreou em 2005 no SBT, nas madrugadas de sexta para sábado, quando iam ao ar dois episódios por semana na faixa "Séries Premiadas" (a atual "Tele Seriados"). Ainda em 2005, migrou para o horário nobre das quartas-feiras, onde registrou bons índices de audiência e chegou a ficar entre os cinco programas mais vistos da emissora. Em 2006, foi reprisado nas madrugadas de sábado, dentro de um especial de férias do "Cine Belas Artes", que exibia séries. Depois, "Os Oblongs" integrou a faixa "Adult Swin" no Cartoon Network. Atualmente está fora do ar, mas a lembrança fica. Humor crítico, politicamente incorreto e delicioso!


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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Onde está Carmen Sandiego?


"Carmen Sandiego" foi uma série de animação que convidava a audiência a bancar o detetive. Isso porque a personagem-título era uma ladra que contava com uma alta tecnologia a seu favor, capaz de realizar roubos espetaculares. Carmen roubava monumentos, obras de arte, artefatos, enfim! Tudo poderia ser um alvo de suas ações. Ela roubava não pelo valor do objeto, mas pelo fascínio em superar a si mesma, deixando pistas por onde passava e desafiando os detetives da ACME, que viviam em seu encalço.

Cada episódio de "Carmen Sandiego" começava com um grande roubo. Daí, o Chefe (uma cabeça flutuante) recrutava dois de seus detetives, os irmãos Ivy e Zach, a juntar as pistas e partir por uma viagem ao redor do mundo em busca da ladra de vermelho. A cada visita dos irmãos detetives aos mais diferentes lugares do globo, o espectador era informado sobre onde estavam, sua população e suas principais características. Ou seja, o desenho dava lições de geografia e história sem ser chato. Ivy e Zach viajavam pelo mundo através de um portal acionado pelo "jogador", um personagem "live action" que aparecia a cada começo e final de episódio diante de um computador. Ou seja, a aventura era, na verdade, um grande jogo de video game, em que Carmen desafiava o "jogador" e este, com a ajuda de Ivy e Zach, é quem seguia as pistas para localizá-la.

No decorrer dos episódios, vai-se revelando a origem de Carmen Sandiego. Ela ficou órfã ainda criança e foi adotada pelo Chefe da Agência ACME. Lá, ela se tornou uma das mais famosas e competentes detetives de todos os tempos. Tornou-se a parceira de trabalho do Chefe e viveu grandes aventuras. Porém, cansada da falta de desafios, Carmen desligou-se da ACME e se tornou uma poderosa ladra, que roubava pelo prazer de vencer todos os desafios.

"Carmen Sandiego" ("Where on Earth is Carmen Sandiego?", no original) não se parece com um jogo de video game à toa. A personagem surgiu neste veículo para depois migrar para a televisão. O jogo foi produzido pela Brøderbund Software, lançado inicialmente em versão para Apple II, no meio da década de 1980. Posteriormente foram lançadas versões para IBM PC XT. Além dele, foram lançados "Where in the US is Carmen Sandiego?", "Carmen Sandiego Junior Detective", "Where in Time is Carmen Sandiego?", "Where in the World is Carmen Sandiego? Deluxe", entre vários outros títulos. No jogo, o jogador é o detetive que deve juntar as pistas para encontrar Carmen pelo mundo, assim como o "jogador" do desenho. Carmen também protagonizou um jogo de tabuleiro, com regras semelhantes ao jogo eletrônico. A personagem foi criada pelos ex-funcionários da Disney, Gene Portwood e Lauren Elliott, que quiseram criar um jogo educativo e divertido para as crianças aprenderem geografia.

A série animada "Carmen Sandiego" estreou na TV americana em 1995 e foi exibido até 1999, pela Fox. Também passou pelo canal Nickelodeon. Seus 40 episódios estrearam na TV brasileira entre 1995 e 1996, exibido no quadro "Disney Club", apresentado pelo Zé Carioca, dentro do infantil "TV Colosso", da Globo. Posteriormente, passou para o SBT, onde foi exibido nos infantis "Bom Dia e Cia" e "Disney Cruj". Uma série inteligente!

Animação em Série: Publicada toda quinta-feira.