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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Uma esposa cheia de magia


O Memória em Série desta segunda-feira relembra uma das séries mais queridas da televisão mundial. Trata-se de "A Feiticeira", uma produção da década de 1960. A série é daquelas que não envelhecem jamais: qualquer reprise é capaz de agradar tanto os saudosos quanto uma nova geração de fãs.

"A Feiticeira" contava o cotidiano de Samantha (Elizabeth Montgomery), uma clássica dona-de-casa dos anos 1960. Amorosa e completamente dedicada ao marido e à família, capaz de realizar com perfeição os serviços domésticos. Mas um detalhe diferenciava Samantha diante das outras donas-de-casa: ela era uma bruxa! Ao se casar com o publicitário James Stephens (Dick York/Dick Sargent), ela optou por dedicar-se à vida comum de casada com um mortal e tentar "maneirar" em seus truques mágicos. Ela se orgulhava cada vez que fazia uma de suas tarefas sem a ajuda da magia, mas não era tão fácil assim, já que a mamãe Endora (Agnes Moorehead) estava sempre na cola da filha e achava uma grande bobagem o fato de Samantha querer ser como uma mortal. Aliás, é clássico o gesto mágico de Samantha, que torcia o nariz a cada novo feitiço (na verdade, ela movia o lábio superior).

Por conta disso, as divertidas brigas entre James e Endora eram constantes. Será que daí veio a brincadeira maldosa de chamar a sogra de "bruxa"? A série também mostrava o trabalho de James, que atuava ao lado do chefe malandrão Larry Tate (David White). Não eram raros os jantares oferecidos por Samantha para Larry e os clientes de sua empresa, cheios de magia e confusão.

Muito dessa confusão vinha da própria família feiticeira de Samantha, que sempre aparecia de surpresa na casa dos Stephens. Havia o pai de Samantha, Maurice (Maurice Evans); o tio palhaço, Arthur (Paul Lynde); a tia Clara (Marion Lorne), boazinha e atrapalhada; a não menos atrapalhada babá Esmeralda (Alice Ghostley); e o médico especial dos feiticeiros, Dr. Bombay (Bernard Fox); além de Serena (Elizabeth Montgomery), uma tresloucada prima de Samantha idêntica a ela. Tudo podia acontecer na casa, que era sempre vigiada pela vizinha xereta Gladys Kravitz (Alice Pearce/Sandra Gould). Ela tratava de contar tudo ao marido, o sossegado Abner (George Tobias), que nunca acreditava nela e a chamava de louca.

No decorrer da série, Samantha dá à luz dois filhos: a primogênita é Tabatha (Erin Murphy e Diane Murphy), que herdou os poderes mágicos da mãe; o segundo é Adam (David Lawrence e Greg Lawrence), mortal como o pai.

"A Feiticeira" ainda perdeu um dos seus protagonistas. Dick York, o primeiro James, sofria de terríveis dores de coluna e deixou o elenco na quinta temporada. Em seu lugar entrou Dick Sargent que, além de xará, tinha certa semelhança física com York. O público aceitou o novo ator e a série ainda teve mais três temporadas. Aliás, James só se chama James no Brasil: no original, o personagem se chama Darrin Stephens. A versão brasileira optou por trocar o nome porque acharam Darrin um nome muito "feminino", além de ser mais difícil de se pronunciar em língua portuguesa. A série inspirou o longa "A Feiticeira", de 2005, que trazia Nicole Kidman no papel-título. O filme decepcionou, já que não trouxe Samantha e James de volta: mostrava um ator de Hollywood tentando re-editar a série, e acaba escolhendo para interpretar Samantha uma feiticeira de verdade, papel de Nicole. Filme dispensável.

"A Feiticeira" ("Bewitched", no original) foi criada por Sol Saks e produzida entre 1964 e 1972, somando 254 episódios em oito temporadas. No Brasil, fez sucesso ao ser exibida pela Excelsior, Globo, Band, Record, RedeTV, Rede 21, Nickelodeon e TCM.

Memória em Série: Publicada toda segunda-feira.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A política em foco


"The West Wing – Nos Bastidores do Poder" é um dos dramas de maior sucesso da TV estadunidense dos últimos tempos. A criação de Aaron Sorkin exibida pela NBC caiu nas graças da crítica, ganhou inúmeros prêmios e rendeu 154 episódios em sete temporadas, entre 1999 e 2006.

A série se passa na Ala Oeste da Casa Branca, área onde trabalham os assessores do presidente dos Estados Unidos. O protagonista é o presidente democrata Josiah Bartlet (Martin Sheen). Os bastidores da política do país mais importante do mundo são mostrados, a partir da relação do presidente com os assessores, que são: Sam Seaborn (Rob Lowe), sub-diretor de comunicação; Leo McGarry (John Spencer), Chefe de Gabinete (Chief of Staff); Toby Zigler (Richard Schiff), diretor de comunicação; Madeline Hampton (Moira Kelly), uma passional consultora política; Josh Lyman (Bradley Whitford), chefe de Madeline e C.J. Creeg (Allison Janney), a secretária de imprensa, cujo papel é falar pela Casa Branca.

Na série, diferentes crises políticas são tratadas ao lado das relações humanas dos personagens. Além disso, "The West Wing" conseguiu tratar de temas absolutamente contemporâneos. A série abordou o atentado de 11 de setembro de 2001, as ambições nucleares da Coréia do Norte, as relações entre a Índia e o Paquistão, o processo de paz na Irlanda do Norte etc.
A ideia inicial de "The West Wing" era retratar o dia-a-dia dos assessores do presidente. Josiah Bartley apareceria apenas nos primeiros quatro episódios. Porém, no piloto, o carisma do personagem e o talento do ator Martin Sheen garantiram a presença dele no centro da atração.

"The West Wing" é uma das mais premiadas séries da TV americana. Venceu 26 Emmys, empatando com "Hill Street Blues" na maior quantidade desse prêmio recebido por uma série dramática. Só em 2000, o programa arrebanhou nove Emmys, outro recorde. No Brasil, o drama foi exibido pelo Warner Channel e pelo SBT.

Mais política

O cenário político dos Estados Unidos foi abordado de uma maneira bastante interessante em outra série, "Jack & Bobby", de 2004. A criação de Brad Meltzer narrava a vida de dois irmãos, Jack (Matt Long) e Bobby (Logan Lerman), dois adolescentes que viviam com a mãe, a professora Grace McCallister (Christine Lahti). A narrativa partia da ideia de que Bobby, quando adulto, se tornaria presidente dos Estados Unidos. Assim, os dramas e alegrias da família McCallister, algumas típicas da adolescência, apareciam costurados por depoimentos da futura equipe do presidente, mostrando como o crescimento de Bobby e a relação com a mãe e o irmão influíram na formação de seu caráter e em suas atitudes políticas. Uma ideia interessante, mas com baixa resposta da audiência, tendo sido encerrada logo na primeira temporada.
Memória em Série: Publicada toda segunda-feira.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Aviso


Em virtude do feriado de 12 de outubro, o Memória em Série não será publicado. A seção volta a ser publicada normalmente na próxima segunda-feira.

Memória em Série: Publicada toda segunda-feira.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A grande família


"Três É Demais" ("Full House", no original) foi uma divertida sitcom tradicional bem característica dos anos 1980-90. Criada por Jeff Franklin e Dennis Rinsley, a atração foi produzida entre 1987 e 1995 e marcou a estreia das gêmeas Olsen na TV.

"Três É Demais" conta a história de Danny Tanner (Bob Saget), um apresentador de TV que ficou viúvo quando sua esposa, Pam, faleceu num acidente de carro. Danny ficou só com a difícil missão de criar suas três filhas: DJ (Candace Cameron), Stephanie (Jodie Sweetin) e a pequena Michelle (Mary-Kate e Ashley Olsen). Para dar conta do trabalho e da missão "pai/mãe", ele recorre à ajuda de dois amigos: o comediante Joey (Dave Coulier) e o roqueiro Jesse (John Stamos), que é cunhado de Danny.

Danny é o típico certinho e maníaco por limpeza, além de ser falastrão e um tantinho egocêntrico. Daí, a convivência com os amigos terá suas dificuldades. Joey, como é comediante, tem sempre uma tirada e adora inventar brincadeiras com as crianças. Jesse, com seu visual a la "Elvis Presley", é o amigão das meninas. No decorrer do seriado, ele se envolve e se casa com Becky (Lori Loughlin), partner de Danny num programa matinal de TV, aumentando a já grande população da casa. Casa esta que ainda recebe a constante visita de Kimmy (Andrea Barber), a espaçosa melhor amiga de DJ.

A série ainda acompanha as dificuldades enfrentadas pelas três garotas que crescem sem a mãe. DJ é adolescente e sente falta de apoio, embora conte com os "tios", que estão sempre dispostos a ajudá-la. Steph é a filha do meio extremamente responsável, que gosta de cuidar da caçulinha Michelle, a esperta menininha.

É explorando as relações desta grande e diferente família que "Três É Demais" faz graça e atinge em cheio públicos de diferentes idades. Uma de suas principais curiosidades é a presença das irmãs gêmas Mary-Kate e Ashley Olsen que, ainda bebês, se revezavam no papel de Michelle. Isso porque o papel exigia bastante tempo de gravação e a lei do estado da Califórnia, onde a série era rodada, impunha um limite para o trabalho infantil. As duas chegaram a contracenar juntas em episódios que Michelle conversa com si mesma, como se fosse sua consciência. Hoje, Mary-Kate e Ashley são adultas e já emplacaram outras séries e filmes para cinema e TV.

No Brasil, "Três É Demais" foi exibida pela Globo e pelo SBT, que a reprisou várias vezes. A sitcom também já foi ao ar pelo Warner Channel. Teve, ao todo, oito temporadas e 192 episódios.


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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

15 anos de "Friends"


Há 15 anos, começava uma das sitcoms mais divertidas e famosas da televisão mundial: "Friends". A simples fórmula alçou ao estrelato seus seis protagonistas e rendeu dez incríveis temporadas, acumulando uma quantidade de fãs-seguidores que a idolatram até hoje, mesmo que "Friends" tenha se encerrado já há cinco anos.

A série girava em torno de seis amigos inseparáveis: a patricinha Rachel Green (Jennifer Aniston) se re-encontra com a amiga do colégio e ex-gordinha Monica Geller (Courteney Cox-Arquette) ao fugir de seu próprio casamento e ir parar, vestida de noiva, no Central Perk, café onde Monica e seus amigos se reunem. Ali, ela conhece os vizinhos de Monica, o ator um tanto medíocre e de ideias fracas, porém conquistador, Joey Tribianni (Matt LeBlanc), e o irônico e piadista Chandler Bing (Matthew Perry). Há ainda a desligada Phoebe Buffay (Lisa Kudrow), que já dividiu o apê com Monica mas, ultimamente, se divide entre a profissão de massagista e faz performances com seu violão no café (com destaque para o hit "Smelly Cat", seu maior sucesso). Rachel também se re-encontra com Ross Geller (David Schwimmer), irmão de Monica que foi apaixonado por ela por toda a adolescência. Ross é um paleontólogo e professor, nerd e com a autoestima abalada após descobrir que a esposa o trocou por outra mulher. É deste encontro inusitado que o grupo se forma, para que juntos descubram as alegrias, tristezas, romances, decepções e outros tantos sentimentos que envolvem a vida adulta.

Rachel abre mão de sua vida de patricinha e vai morar com Monica, enquanto começa a ganhar a vida como garçonete do Central Perk. É naquele café e nos apartamentos de Monica e Rachel e Joey e Chandler que se passa a maioria das histórias.

No decorrer da série, o amor entre Rachel e Ross ressurge, porém cheio de idas e vindas. O principal casal da série namora por um bom tempo, mas passa outro bom tempo separado, entre breves recaídas. Numa dessas recaídas, os dois até têm uma filha, Emma. A neurótica e maníaca por limpeza Monica tem uma vida amorosa conturbada e acabará descobrindo um improvável amor por Chandler, com quem acaba se casando. Já Phoebe acumula uma enorme quantidade de namorados, dos mais variados tipos, mas resolve se casar justamente com o mais "normal" deles, Mike (Paul Rudd). E Joey, o grande conquistador da série, não se relaciona seriamente com ninguém, mas acabará balançado quando começa a pensar que nutre um sentimento justamente por Rachel. Enquanto os desenlaces amorosos vão acontecendo, as carreiras de todos passam por uma série de mudanças. Monica, que é chef de cozinha, chega a trabalhar como atendente numa lanchonete muito bizarra; Ross segue com uma vida acadêmica brilhante; Rachel abandona o avental do Central Perk para trabalhar no mundo da moda; Chandler segue em seu escritório, embora os amigos jamais saibam o que ele faz lá, afinal, até largar tudo e entrar no mercado publicitário; e Joey acumula participações em comerciais e teatro, embora seu papel mais expressivo tenha sido o de doutor Drake na soap opera "Days of Our Lives".

A série termina quando Monica e Chandler decidem deixar o apartamento dela para se mudar para uma casa no subúrbio ao lado de seus filhos gêmeos adotados, enquanto Rachel e Ross finalmente se acertam e decidem criar Emma juntos. Chegava ao fim uma das séries mais marcantes dos anos 1990.

"Friends" acumulou prêmios durante sua trajetória e chegou a figurar em segundo lugar na lista dos 50 melhores programas de TV da revista TV Guide em 2002. O episódio final foi assistido, em média, por 51.1 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Até hoje, as reprises da série são bem vistas e os DVDs de suas dez temporadas fazem sucesso. Criada por Marta Kauffman e David Crane, "Friends" teve 236 episódios e estreou em 22 de setembro de 1994.

E o sucesso deve continuar. Começaram a figurar nos jornais notícias dando conta de que a série finalmente vai virar um longa metragem. Boatos como esse já surgiram em várias ocasiões, mas agora começam a ganhar corpo. O jornal "Daily Mail" informou ontem (27) que o filme reunirá os seis atores principais e será produzido e roteirizado por David Crane e Marta Kaufmann. O longa de "Friends" deve estrear em 2011. No Brasil, "Friends" foi exibido pela Sony, Warner, RedeTV e SBT. A Warner reprisa a série até hoje.


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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Herdeiras de Batman


"Birds of Prey" (chamada erroneamente de "Mulher Gato" na TV aberta) foi uma tentativa da Warner de apostar no universo alternativo dos super-heróis da DC, depois do sucesso de "Smallville". Por isso, adaptou uma grafic novel homônima do universo de Batman, resultando numa série esteticamente bem feita e roteiros que funcionavam na maioria dos episódios. Porém, a audiência não foi o suficiente para emplacar uma segunda temporada.

"Birds of Prey" se passava em New Gotham, resultado da reconstrução de Gotham City, destruída anos atrás. O Batman desapareceu depois de uma batalha definitiva conta o Coringa, batalha esta na qual a Batgirl saiu ferida e ficou paraplégica. Mesmo assim, a agora ex-Batgirl Barbara Gordon (Dina Meyer) não deixou de lutar contra o crime. Agora ela é Oráculo, que monitora a criminalidade de New Gotham através de avançados equipamentos montados na torre de um relógio. Dali, ela passa as informações para a Caçadora, uma nova heroína que luta para a manutenção da paz na cidade.

A Caçadora, na verdade, é Helena Kyle (Ashley Scott), filha de Bruce Wayne com Selina Kyle, nada menos que a Mulher Gato. Helena é parte meta-humana, ou seja, tem poderes ligados aos felinos, assim como sua mãe. Isso lhe dá a força e a agilidade necessárias para percorrer os prédios de New Gotham e lutar contra perigosos bandidos. No primeiro episódio, surge a adolescente Dinah Redmond (Rachel Skarsten), órfã que acaba sendo "adotada" por Barbara. Dinah é filha da Canário Negro e, assim como sua mãe, tem poderes, mas sensitivos, que também a tornam uma super heroína. Ela passa a ser treinada por Barbara e se junta à Caçadora no time de heroínas conhecido como Aves de Rapina.

Ao longo dos treze episódios que compõem a série, Oráculo, Caçadora e Dinah vão enfrentar novos perigos que ameaçam a paz em New Gotham. Na verdade, a onda de crimes é orquestrada pela antiga pupila do Coringa, a Harlequina, aqui na pele da doutora Harleen Quinzel (Mia Sarah), justamente a analista de Helena. A vilã tem como objetivo libertar o Coringa do Asilo Arkhan. O grupo de heroínas conta ainda com o apoio do policial Jake Reese (Shemar Moore) que, aos poucos, vai se envolvendo com Helena. O mordomo Alfred (Ian Abercrombier) é outro personagem do universo Batman que dá as caras na série.

"Birds of Prey" partiu de uma premissa muito boa e acertou no tom, dando à série aquele ambiente soturno ideal para as tramas de Batman. Também teve como vantagem a coragem de sair do lugar comum, quando a aposta mais óbvia depois do sucesso de "Smallville" seria apostar na adolescência de Bruce Wayne. Porém, o roteiro de alguns episódios não conseguiu segurar a atmosfera necessária e a série foi perdendo audiência, acabando prematuramente no 13º episódio. Ao menos, uma luta definitiva entre Caçadora e Harleen foi vista no último episódio, com um final que não amarrou algumas pontas soltas, mas ao menos fez algum sentido. O mais chato foi ver a misteriosa ligação telefônica entre Alfred e Bruce Wayne. Quem esperava que o morcegão fosse aparecer numa participaçãozinha que fosse, ficou a ver navios.

Adaptada para a TV por Laeta Kalogridis e com o mesmo time de produtores de "Smallville", "Birds of Prey" estreou em 2002 e foi exibida no Brasil pelo Warner e pelo SBT, que deu à série o equivocado título de "Mulher Gato".

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"Melrose": dramalhão juvenil


"Melrose Place" foi uma série que fez muito sucesso no Brasil nos anos 1990. A ideia era mostrar um drama jovem, porém com personagens um pouco mais velhos que os mostrados em "Barrados no Baile" ("Beverly Hills 90210"). "Melrose" era spin-off de "Barrados", sendo que ambas, durante muito tempo, foram atração obrigatória das tardes de domingo da Globo.

"Melrose Place" girava em torno dos moradores do condomínio Melrose. Entre eles, a publicitária Alison Parker (Courtney Thorne-Smith), que dividia apartamento e formava um casal com Billy Campbell (Andrew Shue); os recém-casados Michael Mancini (Thomas Calabro) e sua esposa Jane (Josie Bissett); além de Matt Fielding (Doug Savant), homossexual que vivia em crise, entre outros. Os episódios retratavam as dificuldades dos "jovens adultos", na faixa dos 20 anos, com seus problemas de relacionamentos, carreira e amizade. Mas a coisa pegou fogo no final do primeiro ano, quando surgiu Amanda Woodward (Heather Locklear), a dona do local, que gostava de maltratar seus inquilinos e se relacionar com todos os homens do elenco.

Vários outros personagens vão sendo apresentados no decorrer da série, como Sidney Andrews (Laura Leighton), que dava em cima do marido da irmã Jane; Jo Reynolds (Daphne Zuniga), fotógrafa que se muda de Nova York para Los Angeles; o inescrupuloso doutor Peter Burns (Jack Wagner); o dono de restaurante Kyle (Rob Estes) e sua vingativa mulher Taylor (Lisa Rinna); além de Jake Hanson (Grant Show) e Billy Campbell (Andrew Shue). Destaque para Kimberly Shaw (Marcia Cross), uma médica que foi amante de Michael Mancini. Era totalmente psicótica e acabou morrendo... mas logo ressuscitada, a pedido da audiência.

Este último fato, aliás, ilustra bem o caminho que tomou "Melrose Place": um típico novelão. Valia tudo: mortes, tragédias, assassinatos, sequestros, drogas, explosões e reviravoltas típicas de soap opera. E o espectador embarcou na emoção, fazendo de "Melrose" um sucesso incontestável. Tanto que a série, seguindo o mesmo caminho de "Barrados no Baile", acaba de ganhar uma nova versão, que estreou nos EUA na semana passada.

Criada por Darren Star e produzida por Aaron Spelling (um dos homens fortes da TV americana, responsável por sucessos como a própria "Barrados" e "As Panteras"), "Melrose Place" ficou no ar entre 1992 e 1999, somando sete temporadas. No Brasil, foi ao ar pela Globo (que a chamava apenas de "Melrose") e, mais tarde, pela Band (que a chamava de "Melrose Place" mesmo), além do canal Sony.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Aviso


Em virtude do feriado de 7 de setembro, excepcionalmente, Memória em Série não será publicada. A seção volta a ser publicada normalmente na próxima semana.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Mulheres poderosas


"Sex and the City" é mais uma produção original HBO que colaborou com a revolução dos seriados de TV atuais. Trata-se de uma comédia criada por Darren Star, baseada no livro homônimo de Candace Bushnell. Um grande sucesso, "Sex and the City" teve seis temporadas, exibidas entre 1998 e 2004.

A protagonista é Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), jornalista que assina a coluna O Sexo e a Cidade num jornal de Nova York. Sua inspiração é sua própria vida e a vida de suas amigas Samantha (Kim Cattrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon). Samantha está sempre em busca de novos parceiros e prazeres; Miranda é a workaholic que trata de suas relações afetivas do mesmo modo com que trata do trabalho; Charlotte é a sonhadora romântica, que vive em busca do príncipe encantado. Carrie, por sua vez, é apaixonada por Mr. Big (Chris Noth), que sempre a desaponta, mas sempre volta para ela.

Tratando de relacionamentos femininos de uma maneira ímpar na televisão, "Sex and the City" caiu no gosto da audiência feminina, que viu ali sua própria vida retratada nas façanhas daquelas quatro mulheres. A série rendeu vários prêmios, incluindo o Emmy de melhor série cômica, e um longa-metragem, lançado em 2008.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Darren Star explicou sua visão de "Sex and the City". “A idéia de mulheres falando de homens dessa maneira do que se fossem homens e é algo chocante sim, por que não? O que fizemos foi chamar a atenção para uma coisa que existe há muito tempo, mas que as pessoas não olhavam”.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Uma babá chamada Fran


"The Nanny" é uma das séries que engrossam a lista de grandes sucessos de sitcoms tradicionais na década de 1990. O seriado acompanhava o dia-a-dia de uma atrapalhada e divertida babá, que assumiu essa posição quase como um "acidente", mas se deu tão bem que acabou "faturando" o patrão.

Fran Fine (Fran Drescher) é uma mulher espalhafatosa e com voz nasal que perde o emprego numa loja de noivas. Ela então começa a vender cosméticos de porta em porta e, num belo dia, vai bater na porta de Maxwell Sheffield (Charles Shaughnessy), um produtor da Broadway viúvo e pai de três crianças. Ele a confunde com uma candidata à babá que uma agência havia ficado de enviar e Fran logo aproveita a deixa, conseguindo o emprego. É aí que começa a maluca e divertida relação entre Fran e Maxwell. Ela é completamente maluca e adora provocar e tirar o patrão do sério. Ele, aos poucos, vai se encantando com aquela mulher irritante e, ao mesmo tempo, incrivelmente carismática.
O trabalho de Fran é ajudar na criação dos três filhos de Maxwell ("nanny", em inglês, designa uma governanta responsável pela educação das crianças; uma espécie de "mãe postiça"). As crianças são: Maggie (Nicholle Tom), a mais velha; Brighton (Benjamin Salisbury), único garoto e filho do meio; e a pequena Grace (Madeline Zima). Mas ela tem tempo de sobra para levar uma vida de dondoca (são constantes as piadas sobre as roupas e penteados estrambólicos de Fran, além do fato de que o salário da babá não deve conseguir cobrir as "vontades" da perua).

Enquanto cuida e diverte as crianças, Fran ainda tem tempo para atazanar a vida de C. C. Babcock (Lauren Lane), sócia de Maxwell e completamente apaixonada por ele. Neurótica toda vida, ela é alvo constante das piadas da babá e dos comentários sarcásticos do mordomo Niles (Daniel Davis). Niles e C. C. formam a melhor dupla cômica da série e são protagonistas de cenas absolutamente hilárias. Fran ainda costuma receber seus amigos e parentes no serviço: a amiga meio "burrinha" Val (Rachel Chagall), a mãe ainda mais perua Sylvia (Renée Taylor) e a avó figuraça Yetta (Ann Morgan Guilbert).

Os episódios de "The Nanny" exploram a relação de todos os personagens em situações cotidianas, e faz um humor que consegue ir do ingênuo ao malicioso. A química entre Fran Drescher e Charles Shaughnessy funciona e é o ponto alto da sitcom. A relação entre Fran e Maxwell vai se transformando, iniciando-se como um jogo de "gato e rato" e numa tensão sexual evidente, até a paixão em si e o casamento. A série termina com o nascimentos dos filhos gêmeos do casal. A mesma trajetória tem Niles e C. C. que, de tanto brigarem, acabam se casando. Fran tinha o costume de comparar Maxwell ao ator Pierce Brosnan.

"The Nanny" foi criada por Fran Drescher (que também era a produtora) e por Peter Marc Jacobson e foi exibida nos EUA pela CBS. Estreou em 1993 e se encerrou em 1999, somando seis temporadas e 146 episódios. No Brasil, a série pôde ser vista pela Record, que a exibiu com o título "Nanny", e pela Rede 21, na TV aberta. Na TV paga, é atração do canal Sony. No ano passado, surgiu a notícia de que a RedeTV tinha adquirido os direitos da série. Porém, até o momento, ela não entrou na programação da emissora e nem se tem previsão de que entrará. Seria uma boa!

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Uma bela espiã


"Veronica Mars" (no Brasil, "Veronica Mars – A Jovem Espiã") é uma série de investigação que explora tanto a vida adolescente da protagonista quanto seu trabalho como investigadora. Criado por Rob Thomas, a série ficou no ar entre 2004 e 2007, somando três temporadas.

Veronica (Kristen Bell) é uma jovem que vive em Neptune, cidade do estado da Califórnia. Ela é filha do xerife local, Keith Mars (Enrico Colantoni), e leva uma vida aparentemente normal nesta cidade onde só vivem pessoas bem de vida. Mas, um dia, a melhor amiga de Veronica, Lilly Kane (Amanda Seyfried), é assassinada, e Keith toma o pai da vítima, Jake Kane (Kyle Secor), como principal suspeito. Quando o bilionário é inocentado, Keith acaba perdendo o emprego, a mulher, sua casa e o respeito dos moradores de Neptune. Veronica fica sem mãe, sem amigos e sem o namorado Duncan Kane (Teddy Dunn), irmão de Lilly.

Veronica enfrenta sua nova vida solitária na escola com a ajuda de um novo aluno, Wallace Fennel (Percy Daggs III). Depois da aula, ela ajuda seu pai numa firma de investigação particular, fazendo espionagens enquanto estuda, e procura uma maneira de salvar a reputação de seu pai.
A cada episódio, Veronica está envolvida numa nova missão e vai descobrindo novas pistas de uma investigação maior, que permeia toda a temporada.

"Veronica Mars" mostra um ambiente perturbador e traz uma atmosfera noir, o que a torna muito interessante e charmosa. Seu cancelamento deixou vários fãs órfãos, já que era uma série bastante admirada.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A menina que ilumina


"Punky - A Levada da Breca" ("Punky Brewster", no original) é uma das mais queridas séries da geração 1980. Levada ao ar pelo SBT em diferentes momentos de sua história, a sitcom caiu no gosto dos brasileiros, sobretudo das crianças, ao trazer como protagonista uma pequena e divertida garota órfã. Foi criada por David W. Duclon.

Punky (que, na verdade, se chama Penélope, e é vivida pela atriz-mirim Soleil Moon Frye) tem uma história triste. Foi abandonada pelo pai ainda bebê e, mais tarde, deixada pela mãe num supermercado. A garota e seu cão Pinky (Brandon, no original) acabam indo se abrigar num apartamento vazio de um prédio, cujo síndico é Arthur Bicudo (Henry Warnimont, no original, vivido por George Gaynes). Arthur é um velho e rabugento viúvo que ganha a vida como fotógrafo. O encontro dos dois não é nada amistoso. Porém, aos poucos, Punky começa a amolecer o coração de Arthur. Os dois fazem muito bem um ao outro: Arthur, que vivia desanimado, ganha um novo estímulo e uma nova razão para viver; e Punky, finalmente, ganha uma casa e o carinho de um pai amoroso. Arthur acaba adotando Punky e, a partir daí, a confusão está formada.

Punky é muito alegre e brincalhona e adora se vestir espalhafatosamente. Num figurino multicolorido, com direito a maria-chiquinhas no cabelo e lenço amarrado às calças, a pequena vive inventando brincadeiras. A seu lado, a melhor amiga Cátia (Cherie Johnson era o nome original da personagem e também da atriz que a interpretava), neta da divertida dona Luiza (Betty Johnson, vivida por Susie Garret), vizinha de Arthur. Na turminha de Punky havia ainda o ingênuo Junior (Allen Anderson, vivido por Casey Ellison) e a narcisista Margot Kramer (Margaux Kramer, vivida por Ami Foster). E não podemos esquecer do hilário Mike Fulton (T. K. Carter), o faz-tudo do prédio de Punky, que vive metido em explosões.

Punky, apesar de ser uma comédia família com forte apelo juvenil, também ostentava um roteiro vitorioso que valorizava a discussão de temas familiares e, por vezes, polêmicos. Em meio à diversão, sempre havia um momento de emoção nos episódios. Em vários deles, Punky ficava triste por algum motivo e ouvia as sábias lições de vida de Arthur. São inesquecíveis episódios como o qual Cátia acaba presa em um refrigerador velho durante um jogo de esconde-esconde, em que ela se esconde dentro do refrigerador e não consegue sair depois, desmaiando por falta de oxigênio e Punky salva sua vida aplicando técnicas de reanimação cardiorrespiratória que ela aprendeu na escola. Há também um dos mais sérios episódios da série no qual trata de abuso sexual de menores. Tudo permeado com humor e delicadeza.

"Punky" fez tanto sucesso que rendeu uma série animada ("It's Punky Brewster", no original) em que Punky ganha a companhia do ser mágico Glommer, que pode fazer tudo acontecer mexendo a ponta das orelhas. Com 26 episódios, a animação não tem o mesmo charme da série original.

"Punky" foi produzida entre 1984 e 1988, com quatro temporadas e 88 episódios exibidos na NBC. No Brasil, estreou no SBT com a maravilhosa dublagem dos estúdios Maga, da TVS. Fez parte da programação infantil e passeou pela grade, sendo constantemente reprisada por anos a fio, sendo uma espécie de "Chaves". No ano passado, a série foi adquirida pela Band e ganhou uma nova dublagem. Foi exibida nas tardes da emissora no início de 2009, mas logo saiu do ar, infelizmente. Esperamos que a rede reconsidere e traga "Punky" para alegrar os saudosos e conquistar uma nova geração.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Coisas de garotas


"Gilmore Girls", também conhecida por "Tal Mãe, Tal Filha", era uma série que mesclava comédia e drama ao narrar a interessante relação entre mãe e filha. Criada por Amy Sherman-Palladino, ficou no ar entre 2000 e 2007, completando sete temporadas.

Lorelai Gilmore (Lauren Grahan) engravidou aos dezesseis anos e foi obrigada pelos pais, membros da alta sociedade, a se casar com o pai do bebê. Inconformada com a decisão, ela foge de casa, se emancipa e cria a filha Rory (Alexis Bledel) sozinha. Ela vai viver com a filha na pequena e charmosa cidade de Stars Hollow, em Connecticut.

Ali as duas vivem bem, pois o povoado é repleto de pessoas amáveis, como Sookie St. James (Melissa McCarthy), cozinheira na pousada em que Lorelai é gerente e Luke Danes (Scott Patterson), dono do restaurante mais movimentado de Stars Hollow, que tem uma queda por Lorelai.

O grande conflito de Lorelai começa quando ela passa a desejar que a filha seja aceita no colégio de Chilton, famoso por fazer seus alunos entrarem nas principais universidades dos Estados Unidos. Para isso, ela se reaproxima dos pais, Richard (Edward Herrmann) e Emily Gilmore (Kelly Bishop), para pedir um empréstimo que possa cobrir a educação de Rory. Eles aceitam colaborar com a filha desde que os jantares de sexta-feira fossem realizados em família até que Rory complete o secundário.
Uma das características de "Gilmore Girls" eram seus diálogos rápidos e certeiros. Por conta disso, seus textos eram bastante extensos. Os roteiros tinham entre 75 e 80 páginas, enquanto o normal numa série de uma hora é ter entre 45 e 50.

Uma curiosidade: Scott Patterson apareceria apenas no piloto da série, mas a química entre ele e Lauren Grahan foi tão grande que seu personagem Luke permaneceu na série e até teve um romance com Lorelai.

"Gilmore Girls" foi um belo drama que retratava a relação entre mãe e filha, sendo que ambas são jovens e com vidas interessantes. Com diálogos inteligentes e situações cativantes, a série fez muito sucesso e se tornou uma das preferidas da audiência. No Brasil, foi exibida pelo Warner Channel e pelo SBT.

Memória em Série: Publicada toda segunda-feira.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Reflexões sobre a vida e a morte


"A Sete Palmos" ("Six Feet Under", no original) é uma série que resume bem o atual momento criativo da TV estadunidense. A criação de Alan Ball, que ganhou um Oscar de melhor roteiro original por "Beleza Americana", em 1999, poderia ser um grande drama, já que seu tema central é a morte, mas o trata junto com temas comuns a todos, como relacionamento e, principalmente, família. Assim, ao mesmo tempo em que surgem situações carregadas de conflitos, surgem também momentos engraçados. O drama e o humor negro são marca desta produção original da HBO, que ficou no ar entre 2001 e 2005, somando cinco aplaudidas temporadas.

"A Sete Palmos" gira em torno da família Fischer, que possui uma casa funerária. A trama começa quando o patriarca Nathaniel Fischer (Richard Jenkins) vai buscar o filho mais velho Nate (Peter Krause) no aeroporto. Ele saiu de casa faz tempo e viria de visita para as festas de final de ano. Porém, um ônibus bate no carro de Nathaniel, que morre. Nate conhece Brenda (Rachel Griffiths) enquanto espera o pai e acaba transando com a moça na mesma hora, no almoxarifado do lugar. A morte de Nathaniel desencadeia toda a estrutura da série, pois obrigará Nate a assumir a funerária da família, função esta que sempre repudiou.

A família Fischer se completa com Ruth (Frances Conroy), a mãe histérica e carente, David (Michael C. Hall), o filho do meio e homossexual e Claire (Lauren Ambrose), a caçula, adolescente revoltada e drogada. Ao chegar em casa, Nate terá que acertar as contas com seu passado ao mesmo tempo em que se envolve numa estranha relação com Brenda, que possui uma família ainda mais estranha que os Fischer. Outros personagens da série são Federico Diaz (Freddy Rodriguez), embalsamador da funerária, e Keith Charles (Mathew St. Patrick), policial namorado de David.

Os episódios de "A Sete Palmos" sempre são abertos com as cenas da morte de alguém. O falecido vai parar na funerária Fischer & Sons e lá irá influir, direta ou indiretamente, na vida da família. São comuns na série cenas em que os mortos conversam com os personagens e dão opiniões sobre determinada situação da vida de cada um deles. O próprio Nathaniel Fischer sempre dá as caras na série, conversando com os filhos. Outra característica da produção é a inserção de cenas que retratam a imaginação do personagem, que mostram o real sentimento deste em determinada situação.

"A Sete Palmos" estreou no Brasil na HBO, mas também foi exibida pelo Warner Channel. No SBT, foi ao ar nos já conhecidos ingratos horários da madrugada. E pior: não ia ao ar em rede nacional (com exceção da primeira temporada, que foi exibida em 2004, às sextas, por volta da 1 da manhã; além disso, a primeira temporada teve três episódios exibidos em horário nobre, às terças, 21 horas, numa tentativa do SBT de colocar boas séries na faixa nobre todos os dias da semana. Mas a tentativa durou três parcas semanas, quando as séries foram substituídas pela reprise da novela "Xica da Silva").

"A Sete Palmos" é uma das mais belas séries de TV de todos os tempos. Espetacular!

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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Adolescência mágica


"Sabrina - Aprendiz de Feiticeira" ("Sabrina - The Teenage Witch", no original) era uma sitcom de temática adolescente fantástica bastante divertida. Narrava as aventuras da bela Sabrina, vivida por Melissa Joan Hart, uma jovem que se descobre bruxa enquanto precisa lidar com problemas típicos da idade.

Sabrina vive com as tias Hilda (Caroline Rhea) e Zelda (Beth Broderick) e o gato falante Salém (na verdade, um bruxo condenado pela justiça e obrigado a viver na forma de gato por vários anos). Quando ela completa 16 anos, tem a sua primeira levitação durante o sono, o que faz com que Hilda e Zelda lhe contem a verdadeira origem da família: são feiticeiros. A partir daí, a moça aprenderá a lidar com seus poderes mágicos. Não é uma tarefa fácil: Sabrina não tem o domínio de seus poderes mágicos, o que a leva a cometer vários erros. Além disso, a vida de uma adolescente já não é muito fácil... Imagine para uma bruxa! Ela, por várias vezes, cairá na tentação de resolver seus conflitos com magia, atitude apoiada pela tia Hilda, mas não aprovada pela sensata tia Zelda.

Sabrina estuda no colégio da fictícia cidade de Westbridge, localizada perto de Boston, Massachusetts. Ali, convive com a melhor amiga, Valerie (Lindsay Sloane) e com o pretendente (e depois, namorado) Harvey Kinkle (Nate Richert), além da chata e exibida líder de torcida Libby (Jenna Leigh Green). Sabrina não pode contar a nenhum mortal que é uma bruxa, ou terá que transformá-lo em grilo (segundo a regra dos bruxos). No decorrer da série, Harvey vai embora e Sabrina passa a namorar Josh (David Lascher). Além disso, Sabrina cresce e vai para a faculdade. Mas Harvey volta no final da série para ficar ao lado de seu amor.

"Sabrina" nasceu nos quadrinhos, em 1962, em revistas da série "Archie", com argumentos de George Gladir e desenhos de Dan DeCarlo. Além da série live action, criada por Nell Scovell, Sabrina também estrelou uma série de animação. Melissa Joan Hart também estrelou alguns telefilmes vivendo a simpática bruxinha.

No Brasil, "Sabrina - Aprendiz de Feiticeira" foi exibida por anos no canal Nickelodeon. O canal também exibia "Clarissa", outra série protagonizada por Melissa Joan Hart quando era mais nova. Na TV aberta, "Sabrina" debutou na TV Globo nas tardes de domingo do início de 1997, mas logo saiu do ar para dar espaço à "nova" programação da emissora. Depois, foi exibida ainda dentro da programação infantil. A TV Record também exibiu "Sabrina" na programação infantil e também como programa solo em sua grade diária.

"Sabrina - Aprendiz de Feiticeira" foi produzida entre 1996 e 2003, somando sete temporadas e 163 episódios.

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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Família é tudo igual!


Foi em 1992, no programa "Xou da Xuxa", que a série "Família Dinossauros" ficou conhecida no Brasil. A partir daí, deu início a Babymania, uma febre que se instalou sobre o país. Mais do que uma atração infantil, "Família Dinossauros" ("Dinosaurs", no original, produzido entre 1991 e 1994) apresentava um humor simples e inteligente,e, ao mesmo tempo abordava temas polêmicos como poucas produções o fizeram.

O enredo era improvável: o cotidiano de uma típica família norte-americana cujos integrantes eram seres pré-históricos. No elenco, incríveis robôs desenvolvidos pela Loja de Criaturas de Jim Henson. A série era uma produção Disney, criada por Michael Jacobs e Bob Young.

A família Silva Sauro (Sinclair, no original) era composta por Dino, o patriarca ranzinza e alienado, fã de televisão e cerveja; a mãezona Fran, que dedicava-se à família, mas demonstrava fortes características feministas; o filho Bob,o filho inteligente e revoltado quanto ao modo de vida conformista; Charlene, a filhinha consumista e fútil; a vovó Zilda, o estereótipo da sogra rabugenta; e uma das criaturas mais famosas dos anos 1990: Baby! Seus bordões como "não é a mamãe", "de novo" e "precisa me amar" eram repetidos pro 10 entre 10 criancinhas.

Mais do que os personagens carismáticos, o ponto forte da produção era a discussão de temas, por vezes polêmicos, feitos de uma maneira extremamente inteligente. "Família Dinossauros" falou de ecologia, claro, mas também discutiu o "american way of life", drogas, sexo, consumismo e, principalmente, criticou corajosamente seu próprio meio: a televisão. Dino aparecia sempre assistindo aos programas mais imbecis já criados. É antológico um episódio em que o poder da televisão é o mote. Você se lembra?

O episódio começa com Dino irritado com a programação da TV e resolve ir até à estação para criticá-la. Lá, os executivos da TV fazem um teste em Dino para descobrir o que o telespectador quer ver. Dino começa a dar ideias de programas extremamente idiotas, que são produzidos. A nova programação da TV é um sucesso, e Dino torna-se diretor de programação desta rede. Mas Fran começa a perceber que seus filhos começam a "emburrecer": Bob até esquece de respirar e passa mal. Preocupada, ela sugere ao marido que ofereça um conteúdo mais educativo em seus programas. Dino aceita e logo os novos programas culturais aparecem, estimulando todos a pensar. Em pouco tempo, Charlene tira boas notas na escola e Bob inventa um novo combustível de foguete. Estimulados pela TV, todos começam a buscar novos conhecimentos, passam a ler livros e a audiência da TV cai vertiginosamente. Preocupados com a situação, os executivos da TV demitem Dino e mais uma vez refazem a programação. Mas como convencer os telespectadores a abandonar os livros e voltar-se novamente à TV? Eles têm uma ideia: inventar um novo livro que contenha a programação e os horários da televisão. O nome da nova invenção? Guia da TV!

O episódio acima descrito (cujo nome infelizmente não me lembro) chega a ser um tapa na cara dos telespectadores e uma corajosa, porém ambígua, crítica à principal indústria do entretenimento. Corajosa porque sugere que os próprios telespectadores de "Família Dinossauros" procurem algo a mais para entreterem-se. Ambígua porque a série sobreviveu às custas desta indústria que critica. Afina, bonecos, álbuns de figurinhas, chicletes e todo tipo de badulaque com a grife da série vendeu como água no início das anos 1990.

Vale lembrar também do episódio final, em que Dino dá início à Era Glacial. Um belo e atualíssimo alerta sobre as consequências da exploração ambiental desordenada. A cena final da série chega a ser arrepiante: quando todos os personagens sofrem com as mudanças climáticas, o apresentador da DNN (a CNN dos dinossauros) informa os desastres ambientais que estão acontecendo e alerta a todos para a provável extinção dos dinossauros. Depois, olha para a câmera e solta um melancólico "adeus!". Um episódio triste para uma comédia, mas totalmente dentro da proposta metafórica da série.

A série teve, ao todo, 50 episódios. Foi exibida pela Globo no programa da Xuxa, nas manhãs de domingo e reprisadas no "Angel Mix", infantil de Angélica. Depois passou para o SBT, onde foi exibida nas manhãs de domingo, na programação diária e, por fim, no início das tardes de sábado. Hoje, a série pertence à Band, que a exibe como tapa-buracos na programação.

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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Nos bastidores da TV


"Studio 60 on The Sunset Strip" foi uma interessante série, mas que não foi bem compreendida por parte da audiência e teve vida curta. Criada por Aaron Sorkin, o criador de "The West Wing", a atração estreou em 2006 e teve apenas uma temporada, formada por 22 episódios.

Em "Studio 60", Aaron Sorkin manteve a proposta de "The West Wing" de revelar bastidores. Aqui, porém, sai a política e entra o universo da televisão (aliás, a própria série vai mostrar que estes dois universos não andam tão distantes assim). Empresários da comunicação, produção e elenco de um programa semanal de humor são os personagens desta série.

"Studio 60" começa quando o diretor do programa de mesmo nome tem um surto e revela, ao vivo, as pressões e dificuldades a que é submetido e os rumos que a emissora está tomando. Com isso, Jordan McDeere (Amanda Peet), a nova diretora de programação da NBS, convida dois ex-roteiristas da atração, Matt Albie (Mathew Perry) e Danny Trip (Bradley Whitford) para voltarem e darem novo rumo ao show. Assim começa a tentativa de reerguer o "Studio 60", um programa de humor no estilo do "Saturday Night Live", ao mesmo tempo em que desencadeiam conflitos empresariais, políticos e sentimentais. Uma tensão sexual surge entre Jordan e Danny. Já Daniel terá de conviver com a ex Harriet Hayes (Sarah Paulson), um dos principais nomes do show.

"Studio 60 on the Sunset Strip" contou com a participação especial de muita gente famosa, como Sting, Felicity Hufmann e Lauren Grahan. Apesar de ter contado com apenas uma temporada, a série foi muito bem aceita pela crítica, graças ao roteiro extremamente bem costruído e diálogos rápidos e inteligentes.

Duas curiosidades: as atrizes Sarah Paulson e Amanda Peet voltam a dividir a cena, depois de interpretarem as amigas Jack e Elisa na série "Jack & Jill". E Amanda engravidou durante as filmagens da única temporada de "Studio 60".

No Brasil, "Studio 60" foi exibido pelo Warner Channel e pelo SBT. Esta última fez o favor de exibir a série por volta das três horas da manhã...


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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mulheres em ação


Em homenagem a atriz Farrah Fawcett, o Memória em Série desta semana relembra a série "As Panteras". Um clássico da televisão mundial, a série foi criação de um dos principais criadores de séries de todos os tempos, Aaron Spelling, para a rede ABC, e teve cinco temporadas, de 1976 a 1981.

"As Panteras", que no original se chamava "Charlie's Angel", era protagonizado por três belas e inteligentes mulheres que trabalhavam na Agência de Detetives Charles Townsend. A cada semana, Sabrina Duncan (Kate Jackson), Kelly Garret (Jaclyn Smith) e Jill Munroe (Farrah Fawcett) recebiam missões de investigação de um rádio de onde apenas ouviam a voz de Charlie, o chefe da Agência, que nunca aparecia. Era John Bosley (David Doyle), o homem de confiança de Charlie, que tratava pessoalmente os assuntos da missão com as moças.

Porém, esta foi a primeira e mais famosa formação do grupo, mas não a única. Jill participou apenas da primeira temporada, sendo substituída na segunda por Kris (Cheryl Ladd). Mesmo assim, a personagem de Farrah Fawcett voltou a aparecer na série em algumas ocasiões, mas em participações especiais. Na quarta temporada, saiu Sabrina Duncan e entrou Tiffany Welles (Shelley Hack), que não agradou e foi logo trocada por Julie Rogers (Tanya Roberts). Esta ficou na série até o final, ao lado de Kris e Kelly, a única pantera que ficou do início ao fim.

No Brasil, a série foi exibida primeiro pela Rede Globo, em faixas como "Quarta Nobre", e depois, já em reprise, na "Sessão Aventura", no horário da tarde. Ainda, no início dos anos 1990 foi exibida pela TV Gazeta. Depois de mais de dez anos fora da TV aberta brasileira, "As Panteras" retornaria em 2004 através da Rede 21. Nesse meio tempo, durante os anos 1990 a série foi apresentada no Brasil pelo canal por assinatura Fox. Atualmente a serie pode ser assistida no canal por assinatura TCM.
"As Panteras" ainda viraram desenho animado, na produção de Hanna-Barbera "Capitão Caverna e as Panterinhas" ("Teens Angels and Capitain Caverman", no original), desenho que seguia um esquema de episódios semelhante ao "Scooby Doo", e que, vira e mexe, aparece na programação infantil do SBT. Ainda renderam os recentes longas "As Panteras" e "As Panteras 2 - Detonando", com Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore. Mais: "As Panteras" foi a inspiração para o desenho "Três Espiãs Demais", exibido pela Globo, e para a divertida série "As Espiãs" ("She Spies"), que satirizava as séries de investigação.

Memória em Série: Publicada toda segunda-feira.